2 de jun de 2013

[Poesia] LÊDO IVO – A coruja



 [ PEDRO LUSO DE CARVALHO ]


LÊDO IVO, escritor e poeta, estreou na poesia com As imaginações, livro que foi publicado em 1944, no Rio de Janeiro, pela Pongetti. Dessa data, até 2008, quando publicou Réquiem, pela  editora Contra Capa, teve uma produção poética bastante extensa. Às suas inúmeras obras poéticas somam-se as Antologias poéticas, nas quais participou.

O escritor iniciou-se no romance em 1947, com As Alianças, com o qual obteve o Prêmio da Fundação Graça Aranha, que teve a sua publicação no Rio de Janeiro, pela  Agir. Em 2007 foi publicado o romance A Morte do Brasil, em sua 3ª edição, em Belo Horizonte, pela Editora Leitura. Entre 1947 até 2007 produziu outros romances importantes.

A narrativa curta também foi explorada por Lêdo Ivo; o seu primeiro livro de contos, Use a passagem subterrânea, de 1962, foi publicado em São Paulo pela Difusão Europeia do Livro, em 1962. Depois, foram publicados:  O flautim, Um domingo perdido, entre outros.

A crônica igualmente atraiu Lêdo Ivo: A cidade e os dias, foi publicada pela O Cruzeiro,  em 1957 – outras se seguiram. O escritor também se fez presente no ensaio; escreveu, entre outros: Lição de Mário de Andrade, em 1951, O preto no branco. Exegese de um poema de Manuel Bandeira.  Na literatura Infanto-juvenil, fez sua esteia com O menino da noite, em 1995 – outros vieram nessa esteira.

Lêdo Ivo nasceu em Maceió, a 18 de fevereiro de 1924, e morreu em Sevilha, no dia 23 de dezembro de 2012. Foi membro da Academia Brasileira de Letras.

Segue o poema A Coruja, de Lêdo Ivo (in  Ivo, Lêdo. Calabar: um poema dramático / Lêdo Ivo.  Rio de Janeiro: Record, 1985, p. 90-91):


[ESPAÇO DA POESIA]

A CORUJA
( Lêdo Ivo )


Minha noite é o dia
que enxota os sóis intrusos.
Qualquer vento enferruja
os portões e os navios
e muda em garatuja
as inscrições latinas
acima das cornijas.
Minha noite é a luz
sem subterfúgios
que atravessa o fundo
das agulhas mais finas
ou a fagulha dormida
em seu leito de hulha.
Só junto aos semáforos
desta capitania
sou a sentinela
das coisas encobertas
velhas botijas de ouro
gárgulas de cimalha
tocaia ou valhacouto.
E na alvura da noite
branca de mandioca
e esplêndida de coitos
estou onde está o homem:
na malha que o cinge
no abraço que o enlaça
na traça que o rói
no passo do sonâmbulo
na prega da mortalha.



REFERÊNCIA:


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