19 de mai de 2011

DOROTHY PARKER / A Segurança Econômica do Escritor

Dorothy Parker


             
                 por  Pedro Luso de Carvalho


        
        Dorothy Parker (Dorothy Rothschild, era o seu nome) nasceu em West End, New Jersey, em 1893. Em 1914, vendeu o seu primeiro poema para a revista Vanity Fair. Dois anos depois foi contratada pela revista Vogue; em 1917 passou a escrever crítica de teatro para Vanity Fair. Os seus contos passaram a ser publicados em 1925 pela The New Yorker, criada nesse ano; para essa mesma revista passou a escrever resenhas de livros em 1927. Dois anos depois ganhou o prêmio  O. Henry pelo seu conto Big Blod, que a escritora incluiu nos seus livros de contos: After Such Pleasures (1933), Here Lies (1939) e Collected Stories (1942). Parker seguiu escrevendo contos,  poemas e crítica, que foram publicados no seu país nos anos que se seguiram, sempre com grande sucesso, o que não ocorria com o que mais gostava, suas peças teatrais.  

        Dorothy Parker também escreveu roteiros para Hollywood, dentre eles a Star Is Born (Nasce uma Estrela), com indicação para o Oscar em 1937 (a escritora passou a detestar Hollywood, a ponto de recusar-se pronunciar esse nome, substituindo- por “lá”). A escritora foi amiga e também a contista preferida do erudito crítico literário norte-americano Edmund Wilson, autor de Axel's Castle (O Castelo de Axel).  

        Quando Dorothy Parker foi entrevistada pela The Paris Review, no pequeno quarto do hotel em que morava, no centro de Nova York, dentre as muitas perguntas, que lhe fez a entrevistadora da revista, uma foi se é vantagem a segurança econômica para o escritor; Parker respondeu-lhe:

        "Sim. Ficar dura não faz bem nenhum, a menos que você seja uma espécie de Keats. Os que escreviam bem nos anos 20 tinham uma vida confortável. Quanto a mim, gostaria de ter dinheiro. E gostaria de ser uma boa escritora. Essas duas coisas podem se juntar, e espero que se juntem, mas, se for pedir demais, prefiro ter dinheiro. Odeio quase todos os ricos, mas acho que eu seria adorável. No momento, porém, gosto de pensar na observação de Maurice Baring: “Se você quer saber o que o Senhor pensa do dinheiro, terá apenas de olhar para aqueles a quem Ele o dá”. Sei que não ajuda muito quando o lobo bate na porta, mas é um consolo". 
    
        Dorothy Parker morreu de um ataque cardíaco no Hotel Volney, em Nova York, em 1967, aos 74 anos, deixando obras poéticas, contos e crítica literária da maior importância. No Brasil, foi publicado pela primeira vez o livro de contos Big loira e outras histórias de Nova York

        Edmund Wilson, ficcionista e crítico literário. Famoso, dizia sobre os contos da talentosa escritora da era do jazz dos anos 20 e 30: “Os contos de Dorothy Parker continuam hoje tão agudos e engraçados como na época em que foram escritos." E para F. Scott Fitzgerald, Dorothy Parker era "A melhor escritora de sua geração."   




REFERÊNCIA:
PLIMPTON. George. Escritoras e a arte da escrita. The, Paris Review. Tradução de Maria Ignez Duque Estrada. Rio de Janeiro: Gryphus, 2001, p.86.




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