9 de jan de 2012

[Poema] DRUMMOND - Opaco

Drummond


              por Pedro Luso de Carvalho


        CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE forma ao lado de Manoel Bandeira e João Cabral de Melo Neto, na visão da crítica literária, o importante trio brasileiro da poesia contemporânea.

        Drummond nasceu em Itabira de Mato Dentro, Minas Gerais, a 31 de dezembro de 1902. Filho de uma família de fazendeiros em decadência, começou seus estudos na sua cidade natal, transferindo-se depois para Belo Horizonte e Nova Friburgo. Casou-se em 1925, quando ainda era estudante, Com Dolores Morais. Em 1934 transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde se tornou Chefe de Gabinete de Gustavo Capanema, Ministro da Educação. Trabalhou até 1962 no Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, ano em que se aposentou.

       Carlos Drummon de Andrade faleceu no Rio de Janeiro no dia 17 de agosto de 1987, aos 85 anos (incompletos). Legou-nos uma obra poética e literária de inestimável valor.

       Segue o poema Opaco, de Carlos Drummond de Andrade, In, Claro Enigma/Carlos Drummond de Andrade. 2ª ed. Rio de Janeiro: Record, 1991, p. 43-44:


                               [O  P O E M A]


                                   OPACO



        Noite. Certo
        muitos são os astros.
        Mas o edifício
        barra-me a vista.

        Quis interpretá-lo.
        Valeu? Hoje
        barra-me (há luar) a vista.

        Nada escrito no céu,
        sei.
        Mas queria vê-lo.
        O edifício barra-me
        a vista.

        Zumbido
        de besouro. Motor
        arfando. O edifício barra-me
        a vista.

        Assim ao luar é mais humilde.
        Por ele é que não sei do luar.
        Não, não me barra
        a vista. A vita se barra
        a si mesma.


                                     (Drummond)


                                                                                             * * * * * *


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