27 de dez de 2011

[Conto] LEON ELIACHAR - A mulher Exemplar

Leon Eliachar

                 por  Pedro Luso de Carvalho


        LEON ELIACHAR nasceu no Cairo, Egito, em 1922. Dizia ser brasileiro desde que chegou ao Brasil, aos dez meses de idade. Contava que passou 35 anos tratando de sua naturalização. Para ele, a sua carreira de criança começou quando quebrou a cabeça, aos dois anos de idade; e que começou a sua carreira de adulto, quando passou a fazer humorismo ("passei a quebrar a cabeça diariamente"). Assim descreveu as várias atividades, pelas quais passou: "Tive vários empregos: ajudante de balcão, ajudante de escritório, ajudante de diretor de cinema, ajudante de diretor de revista, ajudante de diretor de jornal. Um dia resolvi ajudar a mim mesmo sem a humilhação de ingressar na política: comecei a fazer gracinhas - fora da Câmara.
       
        Leon Eliachar não teve morte natural. A sua morte trágica ocorreu quando um fazendeiro paranaense descobriu que sua mulher traia-o com o escritor. Nunca ficou claro se o marido foi o assassino ou se quem o matou foi alguém a mando seu, em 1987.


                        [ESPAÇO DO CONTO]


                             A MULHER EXEMPLAR
                                                   (Leon Eliachar)


        Antes de tudo, linda. Esbelta. Elegante. Um olhar inteligente. Lábios frescos, bem vermelhos. Pele rosada. Cabelos castanhos-claros. Jóias caríssimas. Não fumava. Não bebia. Não jogava. Centenas de pessoas paravam para admirá-la. Era discutida. Na maioria das vezes elogiada. Enaltecida. Permanecia impassível. Indiferente. Seus olhos azuis pareciam brilhar de orgulho. Incapaz de dar um sorriso para quem quer que a fitasse. Era um quadro.



                 (In, O homem no quadrado. Leon Eliachar. São Paulo: Círculo do Livro, s/d, p. 29.)



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