1 de ago de 2012

MORRE O ESCRITOR GORE VIDAL



         
           O escritor norte-americano Gore Vidal, autor de obras como “Império” e “Myra Breckenridge”, morreu nesta terça-feira, aos 86 anos.



        Um sobrinho do escritor, Burr Steers, indicou ao jornal Los Angeles Times que o romancista morreu em consequência de uma pneumonia, em casa, nas colinas de Hollywood. 
        
           Gore Vidal é considerado um dos nomes maiores da literatura americana, a par de nomes como Ernest Hemingway e Truman Capote, pelos quais, de resto, não nutria grande simpatia. Os seus inimigos jurados da literatura norte-americana eram, porém, William F. Buckley Jr. e Norman Mailer.
     
           Conhecido pela genialidade da escrita, era igualmente famoso pelo estilo de vida extravagante e pela vida sentimental agitada. O narcisismo e “ego gigantesco” eram igualmente lendários. Em 2008 disse numa entrevista à revista “Esquire” que as pessoas ficavam sempre impressionadas por ele ter conhecido pessoas como Jacqueline Kennedy, quando na realidade o que deviam comentar era o contrário: “Porque não dizer a verdade - que essas pessoas me conheceram a mim”.
       
           Para além de romances, Vidal escreveu igualmente ensaios, peças de teatro e guiões televisivos, nunca deixando para trás o activismo político. Vidal foi sempre uma figura de peso a gravitar em torno do Partido Democrata mas nunca conseguiu ser eleito para nenhum cargo político. 
        
           Gore Vidal começou a escrever com 19 anos, quando cumpria serviço militar no Alasca. O primeiro livro foi publicado sob o título “Williwaw” e tem como pano de fundo a II Guerra Mundial. O primeiro romance político, “Washington D.C.”, nasceu em 1967 “por acidente”, sem nenhum propósito particular. Sem ele mesmo se aperceber disso, começaria assim aquilo a que a New York Times Review of Books baptizou, já lá vão bastantes anos, como as “Crónicas Americanas”, dizendo que Vidal era o mestre absoluto do género.
      
          A seguir a “Washington D.C.”, Vidal escreveu “Burr”, “Lincoln”, “1876”, “Império”, “Hollywood” e “A Idade de Ouro”. São estes os títulos dessas “Crónicas”, uma série que não é série. Todos os romances são independentes uns dos outros e, ao mesmo tempo, todos eles se completam (o primeiro e o último decorrem aliás no mesmo período, entre a génese e o pós-II Guerra Mundial, mas com personagens diferentes).
         
          Gore Vidal, que certo dia descreveu os Estados Unidos como “a terra dos aborrecidos e a casa dos literais”, viveu grande parte da vida numa villa italiana. Só se voltou a instalar permanentemente nos EUA em 2003 após a morte do companheiro de há mais de 50 anos, Howard Austen.


[Fonte: Público.pt - 2 de 11 notícias em Cultura
Óbito - Escritor americano Gore Vidal morre aos 86 anos
01.08.2012 - 07:46 Por Agências]


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4 comentários:

  1. Soube deste acontecimento pela televisão. A semana passada foi marcada por grandes perdas e por todo o lado. Também uma nomeada escritora inglesa partiu. Por aqui, o grande historiador, José Hermano Saraiva e o Dr. Eurico de Melo, o grande político e o homem forte do Norte!
    As folhas caiem mas, reforçarão as raízes que deixaram.
    Beijo e uma boa semana.
    Graça

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    1. É mesmo Graça, tivemos grandes perdas nessa época, que são insubstituíveis para a literatura.

      Não conhecia José Hermano Saraiva (historiador) nem o Dr. Eurico de Melo (político) , ambos portugueses.

      Abraços,
      Pedro.

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  2. Vão-se os homens, ficam as obras e nos devemos dar continuidade a elas.
    Faleceu com uma bonita idade, cumpriu o seu dever, fica na minha memoria.
    Aqui também se perderam grandes figuras, é um pouco assim por todo mundo, é a vida!
    Abraço

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    1. Tens razão, Manuel Luis, esses grandes homens não se vão de todo, pois estarão sempre presentes em suas obras.

      Um abraço,
      Pedro

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