12 de dez de 2011

[Poesia] JORGE DE LIMA - Cantigas


                                 
 [PEDRO LUSO DE CARVALHO]


JORGE DE LIMA (Jorge Mateus de Lima) nasceu a 23 de março de 1893, em União dos Palmares, Alagoas, e morreu no Rio de Janeiro em 15 de novembro de 1953. Iniciou os seus estudos de medicina na Escola de Medicina da Bahia, e formou-se, aos 21 anos de idade, no Rio de Janeiro, para onde se mudara. Foi professor de História Natural e Higiene Escolar da Escola Normal de Maceió. Lecionou História da Literatura Brasileira e Portuguesa do então Liceu Alagoano. Foi nomeado para exercer esses dois cargos depois de ter sido aprovado em concurso público. No Rio de Janeiro lecionou Literatura Brasileira na Faculdade de Filosofia da Universidade do Brasil.

Prêmios recebidos por Jorge de Lima: 1) Prêmio da Fundação Graça Aranha, em 1934, com o seu romance O Anjo; 2) Grande Prêmio de Poesia, em 1940, pela Academia Brasileira de Letras, ao volume A Túnica Inconsútil.

Segue o poema Cantigas, de Jorge de Lima (In Jorge de Lima, 2ª ed. São Paulo: Global Editora, 2001, p.49):


[ESPAÇO DA POESIA]

                 

CANTIGAS
[JORGE DE LIMA]



As cantigas lavam a roupa das lavadeiras.
As cantigas são tão bonitas, que as lavadeiras
ficam tão tristes, tão pensativas!

As cantigas tangem os bois dos boiadeiros! –
Os bois são morosos, a carga é tão grande!
O caminho é tão comprido que não tem fim.
As cantigas são leves...
E as cantigas levam os bois, batem a roupa
das lavadeiras.

As almas negras pesam tanto, são
tão sujas como a roupa, tão pesadas
como os bois...
As cantigas são tão boas...
Lavam as almas dos pecadores!
Lavam as almas dos pecadores!




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PEDRO LUSO